Fausto Mussi Saúde Fìsica
A influência do exercicio físico nos aspectos fisiológicos do crescimento e desenvolvimento humano.
A influência do exercicio físico nos aspectos fisiológicos do crescimento e desenvolvimento humano.

A influência do exercicio físico nos aspectos fisiológicos do crescimento e desenvolvimento humano.

Ao longo da vida, as funções orgânicas vão se modificando, o que interfere na performance desportiva de crianças e de adolescentes. Alterações bastante ex-pressivas são principalmente evidenciadas no período da puberdade, fazendo com que as respostas fisiológicas aos exercícios sejam diferentes antes e após essa fase da vida.

Por outro lado, a prática regular de exercícios físicos, ou seja, o treinamento fisico ou desportivo, provoca modificações distintas no desenvolvimento das funções orgânicas antes e durante a puberdade, podendo favorecer ou prejudicar esse desen-volvimento.

Dessa forma, para se elaborar programas de atividade física que propiciem um desenvolvimento ótimo das funções orgânicas nas diversas faixas etárias, é necessário conhecer os efeitos do processo maturacional e dos exercícios físicos sobre essas funções. Este capítulo discutirá esses efeitos, enfatizando os aspectos ligados à composição corporal e às vias metabólicas de produção de energia e relacionando-os às modificações observadas nas capacidades motoras a eles in-terligadas.

COMPOSIÇÃO CORPORAL

Tecido Osseo

O crescimento em estatura de um indivíduo reflete, na realidade, o cresci-mento longitudinal de seus ossos. Dessa forma, esse crescimento se apresenta rápido, porém em desaceleração durante os primeiros dois anos de vida pós-natal,continua lento e praticamente constante durante a infancia e demonstra uma clara aceleração durante a puberdade, caracterizando o estirão de crescimento pubertário, Em seguida, esse crescimento cessa com o fechamento das cartilagens ósseas no final da puberdade.

Questões relativas aos efeitos benéficos ou maléficos da atividade física so-bre o crescimento estatural apresentam posições conflitantes. E aceito, de forma geral, que a atividade física é essencial para um crescimento normal da criança Além disso, alguns autores sugerem que a pratica esportiva constante é capaz de promover um crescimento aumentado. De fato, a maior parte dos atletas de dife populacional. Não se pode ignorar, entretanto, que as características genéticas de elevada estatura são consideradas na pré-seleção dos atletas.

Por outro lado, tem sido observado que a atividade física excessiva pode prejudicar o crescimento estatural, visto que as crianças, principalmente durante a aceleração de seu crescimento na puberdade, apresentam ossos frágeis e mais propensos a lesões por sobrecarga. De fato, estudos em animais evidenciaram déficit de crescimento associado ao exercício físico intenso. Com relação aos seres humanos, os ginastas têm apresentado consistentemente estatura inferior população geral, o que tem sido atribuído à grande sobrecarga de treinamento dessa modalidade. No entanto, a questão da pré-seleção tem sido apontada, nova-mente, como responsável por esses resultados. Além disso, nessa população, a busca por uma estética extremamente magra pode levar os ginastas a um estado

de subnutrição relativa, o que também prejudica o crescimento estatural. Um outro fator importante em relação ao esqueleto é a densidade óssea, que parece aumentar principalmente durante a infância e a puberdade, de modo que seu bom desenvolvimento nessa fase da vida reduz o impacto da osteoporose na idade adulta.

Apesar de 34 a 54% da densidade óssea serem determinados geneticamente, a sobrecarga mecânica imposta pela atividade física parece ter um papel impor-tante no crescimento dessa densidade em crianças e em adolescentes. Há evidên-cias de que crianças ativas apresentam densidade óssea maior que as inativas. O efeito do exercício tem sido observado tanto com atividades de impacto como sem impacto, sendo maior nas atividades de impacto, que impõem aos ossos so-brecargas mecânicas em sentidos não-usuais.

Por outro lado, a atividade física pode também ter efeito deletério sobre o esqueleto. Atividades muito intensas podem reduzir a densidade óssea, e a sobre-carga mecânica unilateral pode levar a deformações ósseas na criança.

Dessa forma, em vista dos dados existentes e das limitações metodológicas dos estudos, não há evidências suficientes para se afirmar que a atividade física regular e adequada tenha qualquer efeito, aumentando ou reduzindo o crescimento em estatura da criança e do adolescente, embora ela aumente a densidade óssea de forma favorável. Entretanto, é possível supor que atividades excessivamente inten-sas possam prejudicar o crescimento estatural e mesmo a densidade óssea.